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  Maneira simples de Curtir uma Cuia
  Qualidades da Erva-Mate
  A Erveira
  Análise do mate
  Propriedades Medicinais
  Ciclo Esconômico
  Os Caminhos do Mate
  O Paraná e a Produção de Mate
  Tradição além das fronteiras gaúchas
  Curando as 'borracheras'
  Matear com excelência
  Um prazer compartilhado
  TERERÉ
  Você sabia? ...

 


O Barriqueiro e seu trabalho artesanal.



Tarefeiro carregando um raído que por vezes chegava a pesar mais de 100 quilos.


Tropas transportando erva-mate, na difícil travessia da Serra do Mar.


Os carroções substituíram com vantagens as tropas muares, no transporte da erva-mate.


Escoamento da erva-mate pelo rio Iguaçu e seus afluentes.


Com a construção da Ferrovia Curitiba-Paranaguá, a exportação ervateira tomou grande impulso.


A primeira operação é a poda ou colheita.


No sapeco os ramos enfolhados são submetidos à ação do fogo.


A fornalha situa-se a uma distância média de quinze metros do galpão de secagem.


Depois da trituração e peneiramento das folhas, termina a fase do cacheamento.

 

MANEIRA SIMPLES DE CURTIR UMA CUIA

Para usar uma cuia nova ou que esteja sem uso há vários meses recomenda-se que seja lavada com água FRIA deixando que as paredes internas fiquem úmidas.

Em seguida coloca-se 1 colher de erva mate seca movimentando-a dentro da cuia para que grude nas paredes internas. Repetir a operação acima a cada 4 ou 5 horas por 2 ou mais vezes.

Importante: após o uso lava-se a cuia e deixa-se secar à sombra na posição horizontal.

 

QUALIDADES DA ERVA-MATE

Não há contra-indicações ao uso da erva-mate, em qualquer uma das suas formas, para pessoas de quaisquer idades. Ao contrário, a erva-mate possui inúmeras propriedades extremamente benéficas ao organismo humano.

Energizante. Sustenta as forças e o vigor do corpo humano durante o dia todo, independentemente até de qualquer outra alimentação. É muito recomendada para dietas.

Fortificante poderoso, por sua riqueza em Sais Minerais (de Cálcio, Ferro, Magnésio, Sódio, Potássio e outros) e em Vitaminas (B, C, D e E).

Provoca a vaso-dilatação, ocasionando a redução da pressão arterial - por isso, é indicada também como auxiliar no tratamento da arteriosclerose.

Considerada como um verdadeiro complemento alimentar, recomendada para superar fadigas e suprir deficiências alimentares. A erva-mate diminui a sensação de fome.

Atuante na defesa orgânica, sendo extremamente benéfica aos diversos tecidos do corpo humano.

Tônico cardíaco, por sua ação vaso-dilatadora e riqueza em Manganês, Cálcio e Potássio. Seus efeitos no aparelho circulatório são notáveis.

Auxilia a digestão e tem ação diurética - facilitando o trabalho dos rins.

Bebida com poderes afrodisíacos comprovados, pela estimulação que provoca.

Possui propriedades sudoríferas, é um estimulador neuro-muscular e cicatrizante eficaz.

O consumo constante da erva-mate amplia a capacidade respiratória, combate a anemia, o diabetes e a depressão.

A erva-mate é 100% natural.
E é deliciosa.

A ERVEIRA

Características Botânicas

Seu caule, de cor acinzentada, tem em média 30 centímetros de diâmetro. Seu porte é variável e dependendo da idade pode atingir 12 metros de altura, mas geralmente quando podada não passa dos 7 metros.

As folhas, parte mais importante do vegetal, são alternadas, ovais, com bordas providas de pequenos dentes, visíveis principalmente da metade do limbo para a extremidade.

Na floração, apresenta cachos de 30 a 40 flores brancas com quatro pétalas, agrupadas em cimeiras fasciculadas nas axilas das folhas.

O fruto é uma drupa globular muito pequena, pois mede de 6 a 8 mm, de coloração verde quando novo, passando a vermelho-arroxeado em sua maturidade, Cada fruto possui quatro ou cinco sementes.

Na América do Sul existem aproximadamente 280 espécies conhecidas da família das aquifoleáceas, 60 das quais encontram-se no Brasil.
A nossa erva-mate, extraída da Ilex paraguariensis pertence à citada família. Tal classificação deve-se ao sábio naturalista Auguste de Saint'Hilaire, que de volta de sua célebre viagem à América, em 1823, apresentou longo relatório à Academia de Ciências do Instituto de França, fazendo sentir a necessidade de sua classificação botânica. A amostra para identificação foi coletada nos arredores de Curitiba, mas, segundo alguns autores, houve troca de etiquetas e a erva-mate foi identificada como Ilex paraguariensis, St. Hilaire, como sendo originária do Paraguai, nome científico pelo qual é conhecida até nossos dias.

ANÁLISE DO MATE

Pesquisas científicas recentes efetuadas pelo Laboratório Eddy de New York, determinou o seguinte teor de vitaminas, no mate:

º Vitamina A (sob forma de beta carotene) 2.200 U.I.
º Vitamina B1 57 U.I.
º Vitamina B2 (unidades) Sherman Bourquin 69g
º Vitamina C 142 U.I.



PROPRIEDADES MEDICINAIS

Apresentando as seguintes propriedades terapêuticas:
º Estimulante dos nervos e músculos.
º Diurético - favorecendo a diurese.
º Estomáquico - facilita a digestão
º Sudorífico - benéfico nas gripes e resfriados.
º A cafeína contida na erva-mate, atua em casos de cólicas renais, depressões nervosas e fadigas cerebrais em geral.

Você sabia ?. . .
A disseminação da erva-mate é "ornitócora" isto é: os pássaros alimentam-se dos pequenos frutos e depois os expelem envoltos em dejetos, o que concorre para favorecer a sua germinação.

CICLO ECONÔMICO

A erva-mate, responsável por um dos mais longos e produtivos ciclos econômicos da história paranaense, teve seu apogeu, no século XIX.
O Paraná era a quinta Comarca da Província de São Paulo, da qual dependia e sofria influência nos negócios internos. Com o advento do ciclo do mate, surgiu uma atividade com técnicas que os paulistas desconheciam, fugindo-lhes das mãos o controle da florescente indústria.

O mate foi o grande argumento de ordem econômica e o principal responsável pela Emancipação Política do Paraná, concretizada a 19 de dezembro de 1853.

No bojo da atividade ervateira, que chegou a representar 85 por cento da economia da nova província, instalaram-se indústrias: em 1853 existiam 90 engenhos de beneficiamento de mate; floresceram cidades como Guaíra, desbravada e colonizada pela Companhia Matte Laranjeira S. A., Rio Negro que abrigava uma burguesia ervateira abastada e influente e tantos outros centros urbanos que evoluíram de portos fluviais como União da Vitória, Porto Amazonas e São Mateus do Sul. Foi na esteira deste ciclo, que os transportes tiveram grande impulso: desenvolveu-se a navegação fluvial no rio Iguaçu; construiu-se a Estrada da Graciosa e a Ferrovia Curitiba-Paranaguá, concluída em tempo recorde de apenas cinco anos.

Grande ainda foi a influência da erva-mate no comportamento social da população das regiões ervateiras e de Curitiba especialmente, onde até o início da Revolução de 1930, existiam mais de uma dúzia de engenhos. Paralelo à indústria ervateira, desenvolveram-se fábricas de barricas para acondicionar o produto e suas sociedades de classe, como a Sociedade Beneficente dos Barriqueiros do Ahu e tantas outras.

Com todo este progresso econômico e social, o Paraná acabou subitamente introduzido nos tempos modernos, surgindo um certo bem-estar e confiança no futuro. Foi a erva-mate o esteio econômico do Estado, até o início da II Guerra Mundial, quando a produção começou a declinar sendo substituída por outros ciclos, que não chegaram a ter, entretanto, a ressonância e o esplendor da erva-mate.

OS CAMINHOS DO MATE

Longos e árduos foram os caminhos percorridos pela erva-mate, ajudando a escrever a história econômica e a tradição cultural do Paraná.
Ainda nos ervais, era feito o sapeco dos ramos, que em seguida eram transportados para o carijo ou barbaquá, em forma de feixes ou raídos, pesando de 60 até 150 quilos, que o ervateiro levava às costas, muitas vezes em longos percursos.

Depois da secagem definitiva a produção do mate era transportada para o litoral notadamente para Porto de Cima, por tropas de muares, para ser beneficiada nos engenhos de soque que começaram a se instalar a partir de 1820, ano em que Antonio Ricardo dos Santos estabelece o primeiro soque hidráulico, que beneficiava 120 arrobas diárias de erva.

Apesar das dificuldades para o transporte, devido às precárias vias de escoamento ao litoral, já em 1832, instala-se no planalto, o primeiro engenho de soque. Mas foi com a conclusão da Estrada da Graciosa em 1873, que a indústria ervateira teve grande impulso e Curitiba passou a ser o centro de beneficiamento.

Surgiram novos engenhos e a erva já elaborada, descia ao litoral transportada em carroções eslavos, tracionados por até quatro parelhas de cavalos.

Outros caminhos percorreu ainda a erva-mate, entre eles, o fluvial. Sendo inaugurada a navegação a vapor no rio Iguaçu em 1882 por iniciativa de Amazonas de Araújo Marcondes, a partir de então, durante 70 anos, embarcações de todos os tamanhos, navegaram pelos rios: Iguaçu, Negro, Potinga, Timbó e Canoinhas.

Os vapores maiores carregavam em média 800, e as lanchas, 300 sacos de erva-mate.

Usavam lenha como combustível e atingiam uma velocidade de 10/12 km horários rio acima e de 16/18 km rio abaixo.

Com o passar dos tempos, os meios de transporte tradicionais foram superados pela ferrovia. O trecho ligando Curitiba aos portos de Antonina e Paranaguá em breve transforma-se na principal via para o escoamento da erva-mate destinada à exportação.

Já no ano de 1826, a exportação ervateira se constituía na base de todo o comércio exterior da quinta Comarca, razão pela qual foi criada um ano depois, a Alfândega de Paranaguá. Eram inicialmente bergantins, galeras e sumacas e posteriormente navios, que partiam de Paranaguá com destino ao Rio de Janeiro, Buenos Aires, Valparaíso e Montevidéu.

No extremo oeste paranaense a Companhia Matte Laranjeira ganhou em 1882, por Decreto Imperial a concessão para exploração da erva-mate no sul do Mato Grosso. O transporte era efetuado pelo rio Paraná e para transpor as corredeiras das Sete Quedas, foi construído um ramal ferroviário entre Guaíra e Porto Mendes.


Monumento histórico da praça Presidente Gaspar Dutra em Guairá, a antiga locomotiva ligava esta cidade a Porto Mendes.

O PARANÁ E A PRODUÇÃO DE MATE

"Essa preciosa ilexinia tem sido o grande bem do Paraná.
Em verdade a erva-mate constitui a coluna de ouro da nossa riqueza econômica, dela emanam as nossas principais fontes de renda, nela assenta todo o engrandecimento e prosperidade do Paraná"

(Caetano Munhoz da Rocha -
Governador do Estado do Paraná - 1920)

Esteio da nossa economia por longo período, a erva-mate é considerada a primeira atividade agroindustrial organizada do Paraná.

Mesmo deixando de ser a base da receita cambial e apesar da sua elaboração por modernas indústrias, hoje como ontem, a erva-mate passa fundamentalmente pelos mesmos processos, ou seja, ela é cancheada e beneficiada.

º Cancheamento - É o ciclo desenvolvido pelo produtor e abrange as operações de colheita, sapeco, secagem, malhação ou trituração.

º Colheita: A época da poda, regulamentada por portaria do IBDF, vai de abril a setembro de cada ano.

º Sapeco: Logo após o desbaste, as folhas são passadas rapidamente numa fogueira feita muitas vezes, ainda no erval. Tal operação destina-se a abrir os vasos aquosos das folhas, desidratando-as.
No sapeco os ramos enfolhados são submetidos à ação do fogo.

º Secagem: Pode ser feita em primitivos carijos, em barbaquás ou em aperfeiçoados secadores mecânicos e consiste na retirada da umidade da erva. O sistema mais utilizado é o uso do barbaquá, em que a erva-mate é disposta em um estrado de madeira, sobre a boca de um túnel, que conduz o calor produzido por uma fornalha, permanecendo ali por aproximadamente vinte horas, para a completa torrefação das folhas.

º Trituração: Depois de seca, a erva é levada para a cancha, plataforma circular assoalhada dotada ou não de furos, onde é triturada por um malhador (peça de madeira de forma troncônica) munido de dentes, que rola sobre a erva, movido por tração animal.

Em tempos mais remotos a malhação da erva era feita sobre um couro de boi, utilizando-se facões ou aporreadores de madeira ou de ferro.

º Beneficiamento - Passando por todo processo de cancheamento a erva-mate, está pronta para ser utilizada pelos engenhos, para sua elaboração final ou seja, a tradicional erva para chimarrão destinada ao consumo interno e para exportação, cujos dois principais mercados são Chile e Uruguai, com crescente aceitação entre os países europeus e do Oriente Médio.
O uso do chimarrão sofreu expressiva revitalização, devido à busca do naturalismo, pelo habitante da cidade grande e pelas correntes migratórias internas. Uso tradicionalmente cultivado no sul, se estendeu para o Mato Grosso, Goiás, Rondônia e outros estados.

Outra forma de beneficiamento é o do mate queimado ou tostado, considerado um produto genuinamente nosso, uma vez que sua industrialização só se processa no Paraná, sendo que a produção vem evoluindo ultimamente e hoje é apresentado ao mercado consumidor nas mais variadas e sofisticadas formas, desde a tradicional embalagem contendo as folhas trituradas e soltas; o "tea bags" - mate em saquinhos contendo doses individuais; o mate concentrado na forma líquida; o mate solúvel, os refrigerantes em cristais e o mate preparado.

Tradição além das fronteiras gaúchas

Uma lenda indígena, descrita por Alcides Gatto, da Universidade Federal de Santa Maria, indica como começou o uso da erva mate. A mais antiga aponta para a trajetória de uma tribo nômade de índios guarany. Um dia, um velho índio, cansado das andanças, recusou-se a seguir adiante, preferindo ficar na tapera. A mais jovem de suas filhas, apesar do coração partido, preferiu ficar com o pai, amparando-o até que a morte o levasse à paz do Yvi-Marai, a seguir adiante, com os moços de sua tribo.

Essa atitude de amor rendeu-lhe uma recompensa. Um dia um pajé desconhecido encontrou-os e perguntou à filha Jary o que é ela queria para ser feliz. A moça nada pediu, mas o velho pediu 'renovadas forças para poder seguir adiante e levar Jary ao encontro da tribo'.
O pajé entregou-lhe uma planta muito verde, perfumada de bondade, e o ensinou que, plantando e colhendo as folhas, secando-as ao fogo e as triturando, devia colocá-las num porongo e acrescentar água quente ou fria. 'Sorvendo essa infusão, terás nessa nova bebida uma nova companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais cruel solidão'. O ancião se recuperou, ganhou forças e viajou até o reencontro de sua tribo.
Assim nasceu e cresceu a caá-mini, que dela resultou a bebida caá-y, que os brancos mais tarde chamaram de chimarrão. A origem do nome mate vem do povo espanhol, que preferiu usar a palavra 'mati' (cuia), da língua quíchua, para se ajustar melhor à modalidade grave do idioma. No entanto, logo foi substituída por uma palavra guarany - caiguá - nome composto por caá (erva), i (água) e guá (recipiente).

Curando as 'borracheras'

A tradição do chimarrão é antiga e remete a tradição à história da colonização espanhola. Soldados espanhóis, que aportaram em Cuba e foram ao México 'capturar' os conhecimentos das civilizações Maia e Azteca, em 1536 chegaram à foz do Rio Paraguay. Impressionados com a fertilidade da terra às margens do rio, fundaram a primeira cidade da América Latina: Assunción del Paraguay.
Acostumados a grandes 'borracheras' - porres memoráveis que muitas vezes duravam a noite toda - os desbravadores, nômades por natureza, sofriam com a ressaca. Aos poucos, foram tomando o estranho chá de ervas utilizado pelos índios Guarany e notavam que no dia seguinte ficavam melhores. Realmente, o mate amargo é um bom ativante do fígado, auxiliando a curar o mal-estar causado pela bebida.
O porongo e a bomba do chimarrão eram retirados de floresta de taquaras, às margens do rio Paraguay. Por causa da tradição, os paraguaios tomam a bebida fria e em qualquer tipo de cuia. É o chamado tererê, que pode ser ingerido com gelo e limão ou com suco de laranja e limonada no lugar da água.
No Brasil, a erva é socada; na Argentina e no Uruguai, triturada. Nos países do Prata, ela é mais forte e amarga, sendo recomendada para quem sofre de problemas no fígado.

 

Um prazer compartilhado

Uma roda de chimarrão é um momento de descontração, fazendo parte de um ritual indispensável para unir gerações. O mate pode ser tomado de três maneiras: solito (isoladamente), parceria (uma companheira ou companheiro) e em roda (em grupo).
O mate solito faz parte da cultura do homem que não precisa de estímulo maior para matear do que sua própria vontade. Pode-se dizer que é o verdadeiro mateador, ao contrário do mate de parceria, em que a pessoa espera por um ou dois companheiros. É na roda de mate, porém, que esta tradição conquistou seu apogeu, agrupando pessoas em torno de uma mesma ação: chimarraer.
Aos navegantes de primeira viagem, um aviso: nunca peça um mate, por mais vontade que tenha. Poderá sugeri-lo de forma sutil, esperando que lhe ofereçam. Há um respeito mítico nas rodas de mate.

 

Matear com excelência

Ao adquirir uma cuia nova é preciso curtí-la por, no mínimo, três dias, ato que é conhecido como curar uma cuia. Deve-se enche-la de erva-mate pura ou misturada com cinza vegetal e água quente, mantendo o pirão sempre úmido, impregnando, assim, o gosto da erva em suas paredes. A cinza é utilizada para dar maior resistência ao porongo.
Passando o tempo, retira-se a erva-mate da cuia com uma colher para eliminar os restos de erva. Basta enxaguá-la com água quente e estará pronta para ser usada. O mate se cura cevando, ou seja, quanto mais vezes é tomado, melhores serão os mates.  

A mão direita - A entrega da cuia e o recebimento do mate deve ser feito com a mão direita.

Enchendo o mate - Pega-se a cuia com a mão esquerda e o recipiente com a direita. Após, acomoda-se o recipiente e se troca a cuia de mão para matear ou oferecer o mate. seguindo-se, sempre, pelo lado direito, o lado de laçar. O sentido da volta na roda de mate deverá partir pela direita do cevador ou enchedor de mate.

A água para preparar o mate - A temperatura nunca deve estar muito quente, pois pode queimar a erva, dando um gosto desagradável ao mate e lavando-o rapidamente, o recomendado é entre 80º e 85º graus.

O pialador de mate - É o indivíduo que, chegando numa roda de mate, posiciona-se à frente da pessoa que está mateando e à esquerda na mão da roda. O correto é ficar antes do mateador, sempre a sua direita.

A água do mate - A água nunca deverá ser fervida, pela perda de oxigênio, transmitindo um sabor diferente ao mateador. O ideal é quando a água apenas chia próximo de 85º.

Cevar com cachaça - Quando as pessoas fecham um mate (ato de prepará-lo), costumam, em lugar de água para inchar a erva, colocar cachaça, pois ela fixa por mais tempo a fortidão da erva-mate, sem deixar o gosto do álcool. Uma vez inchada a erva, cospe-se fora a infusão até roncar bem a cuia, esgotando-se completamente o líquido.

Só o cevador pode mexer no mate - A menos que se obtenha licença, só o cevador deve arrumar o mate, considerando-se falta de respeito mexer sem permissão. Podemos, isto sim, ao devolver a cuia, avisá-lo do problema.

Em roda de mate - É comum, após o primeiro mate, que sempre é do iniciar a roda pelo mais velho ou por alguém a quem se queira homenagear.

O primeiro mate - Todo aquele que fecha um mate deve tomá-lo primeiro em presença do parceiro ou na roda de mate. Este fato se tornou tradicional devido a épocas em que o mate serviu de veículo para envenenamentos. Por isso, o ato do mateador tomar o primeiro indica que o mate está em condições de ser tomado. Há a lenda jesuíta, que atribuía valores afrodisíacos ao mate. Para evitar que os índios passassem a maior parte do dia mateando, tentando afastá-los do hábito, criaram o mito entre os silvícolas cristianizados que Anhangá Pitã (diabo) estava dentro do mate.

Roncar a cuia - Uma vez servido o mate, deve ser tomado todo, até esgotá-lo, fazendo roncar a cuia.

TERERÉ

Diz a lenda que durante a Guerra do Paraguai, os soldados de ambos os lados (Brasil e Paraguai), durante os tempos de folga entre um combate e outro, ou às vezes até mesmo em pleno combate, gostavam de tomar um chimarrão para repor os ânimos. Como o intervalo entre esses combates era muito curto, não havia tempo para esquentar a água, assim eles começaram a tomar frio e gostaram do sabor.

     Depois com a água mais gelada e a erva com menos folhas, o então tereré surgiu para deixar nossos dias mais refrescantes. Atualmente, tem um consumo muito grande entre os cowboys de rodeio. É com muita facilidade que se vê uma roda formada, principalmente durante o dia, na hora de descanso, para o prazeroso ritual de tomá-lo, que acaba sendo, às vezes, até o motivo para boas e novas amizades, além de ajudar a manter as já existentes. 

     Muito tempo antes de ser conhecida sua composição química já os indígenas utilizavam a erva-mate não só atraídos pelo paladar da bebida preparada, mas principalmente por conhecerem suas virtudes, em que se destacava a propriedade de aumentar a resistência à fadiga, eliminando a sede.

     O efeito estimulante da cafeína encontrada no mate usado no tereré, que exerce um poder energético conhecido sobre o sistema nervoso central, estimula o vigor mental no trabalho cardíaco e circulação do sangue.

     Além de ser uma bebida muito estimulante, elimina a fadiga ativando as funções físicas e mentais, atuando beneficamente sobre os nervos e músculos, favorecendo também o trabalho intelectual.Talvez um dos motivos de ser altamente consumido entre os cowboys, além do seu efeito refrescante.

      Com vitaminas do complexo B, a erva-mate participa do aproveitamento do açúcar nos músculos, nervos e atividade cerebral do homem. As vitaminas C e E agem como defesa orgânica e como benefício sobre os tecidos do organismo sais minerais, juntamente com a cafeína, ajudam o trabalho cardíaco e a circulação do sangue, diminuindo a tensão arterial,pois a cafeína atua como vasodilatador. Em tais situações, também pode ser suprida a sensação de fome.

     A erva-mate favorece a diurese, sendo de grande utilidade em moléstias da bexiga. Atua também sobre o tubo digestivo, ativando os movimentos peristálticos; facilita a digestão, suaviza os embaraços gástricos, favorecendo a evacuação e a mictação. A sua ação estimulante é mais prolongada que a do café, não deixando efeitos colaterais ou residuais como irritabilidade e insônia.

     Pesquisas do Instituto Pasteur de Paris atribuem também a esta erva um papel importantíssimo no processo de regeneração celular.Estudos indicam que os compostos que constituem a erva-mate são: água, celulose, gomas, dextrina, mucilagem, glicose, pentose, substâncias graxas, resina aromática, legumina, albumina, cafeína, teofilina, cafearina, cafamarina, ácido metetânico, ácido fólico, ácido caféico, ácido virídico, clorofila, colesterina e óleo essencial.

     A cafeína, teofilina e teobromina são três alcalóides estreitamente relacionados, encontrados nela e são os compostos mais interessantes sob o ponto de vista terapêutico. O teor de cafeína na erva atinge em média 1,60%, enquanto que nas infusões o valor médio é de 1,10%.

Você sabia? ...
Importada pelos países europeus, a erva-mate teve os mais diferentes usos: na Espanha e Portugal, era vendida em farmácias, como medicamento, na Alemanha era usada para fabricação de gasosa e vermute e na França, foi transformada em matéria-prima na confecção de cigarros.

 

 

 
     

 

 

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