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QUALIDADES DA ERVA-MATE
Não há contra-indicações ao uso da erva-mate, em qualquer uma
das suas formas, para pessoas de quaisquer idades. Ao contrário,
a erva-mate possui inúmeras propriedades extremamente benéficas
ao organismo humano.
Energizante. Sustenta as forças e o vigor do corpo humano
durante o dia todo, independentemente até de qualquer outra
alimentação. É muito recomendada para dietas.
Fortificante poderoso, por sua riqueza em Sais Minerais (de
Cálcio, Ferro, Magnésio, Sódio, Potássio e outros) e em
Vitaminas (B, C, D e E).
Provoca a vaso-dilatação, ocasionando a redução da pressão
arterial – por isso, é indicada também como auxiliar no
tratamento da arteriosclerose.
Considerada como um verdadeiro complemento alimentar,
recomendada para superar fadigas e suprir deficiências
alimentares. A erva-mate diminui a sensação de fome.
Atuante na defesa orgânica, sendo extremamente benéfica aos
diversos tecidos do corpo humano.
Tônico cardíaco, por sua ação vaso-dilatadora e riqueza em
Manganês, Cálcio e Potássio. Seus efeitos no aparelho
circulatório são notáveis.
Auxilia a digestão e tem ação diurética – facilitando o trabalho
dos rins.
Bebida com poderes afrodisíacos comprovados, pela estimulação
que provoca.
Possui propriedades sudoríferas, é um estimulador neuro-muscular
e cicatrizante eficaz.
O consumo constante da erva-mate amplia a capacidade
respiratória, combate a anemia, o diabetes e a depressão.
A erva-mate é 100% natural.
E é deliciosa.
A ERVEIRA
Características Botânicas
Seu caule, de cor acinzentada, tem em média 30 centímetros de
diâmetro. Seu porte é variável e dependendo da idade pode
atingir 12 metros de altura, mas geralmente quando podada não
passa dos 7 metros.
As folhas, parte mais importante do vegetal, são alternadas,
ovais, com bordas providas de pequenos dentes, visíveis
principalmente da metade do limbo para a extremidade.
Na floração, apresenta cachos de 30 a 40 flores brancas com
quatro pétalas, agrupadas em cimeiras fasciculadas nas axilas
das folhas.
O fruto é uma drupa globular muito pequena, pois mede de 6 a 8
mm, de coloração verde quando novo, passando a
vermelho-arroxeado em sua maturidade, Cada fruto possui quatro
ou cinco sementes.
Na América do Sul existem aproximadamente 280 espécies
conhecidas da família das aquifoleáceas, 60 das quais
encontram-se no Brasil.
A nossa erva-mate, extraída da Ilex paraguariensis pertence à
citada família. Tal classificação deve-se ao sábio naturalista
Auguste de Saint'Hilaire, que de volta de sua célebre viagem à
América, em 1823, apresentou longo relatório à Academia de
Ciências do Instituto de França, fazendo sentir a necessidade de
sua classificação botânica. A amostra para identificação foi
coletada nos arredores de Curitiba, mas, segundo alguns autores,
houve troca de etiquetas e a erva-mate foi identificada como
Ilex paraguariensis, St. Hilaire, como sendo originária do
Paraguai, nome científico pelo qual é conhecida até nossos dias.
ANÁLISE DO MATE
Pesquisas científicas recentes efetuadas pelo Laboratório Eddy
de New York, determinou o seguinte teor de vitaminas, no mate:
◦
Vitamina A (sob forma de beta carotene) 2.200 U.I.
◦
Vitamina B1 57 U.I.
◦
Vitamina B2 (unidades) Sherman Bourquin 69g
◦
Vitamina C 142 U.I.
PROPRIEDADES MEDICINAIS
Apresentando as seguintes propriedades terapêuticas:
◦ Estimulante dos nervos e músculos.
◦ Diurético - favorecendo a diurese.
◦ Estomáquico - facilita a digestão
◦ Sudorífico - benéfico nas gripes e resfriados.
◦ A cafeína contida na erva-mate, atua em casos de cólicas
renais, depressões nervosas e fadigas cerebrais em geral.
Você sabia ?. . .
A disseminação da erva-mate é "ornitócora" isto é: os pássaros
alimentam-se dos pequenos frutos e depois os expelem envoltos em
dejetos, o que concorre para favorecer a sua germinação.
CICLO ECONÔMICO A erva-mate, responsável por um dos mais longos e produtivos
ciclos econômicos da história paranaense, teve seu apogeu, no
século XIX.
O Paraná era a quinta Comarca da Província de São Paulo, da qual
dependia e sofria influência nos negócios internos. Com o
advento do ciclo do mate, surgiu uma atividade com técnicas que
os paulistas desconheciam, fugindo-lhes das mãos o controle da
florescente indústria. O mate foi o grande argumento de ordem econômica e o principal
responsável pela Emancipação Política do Paraná, concretizada a
19 de dezembro de 1853. No bojo da atividade ervateira, que chegou a representar 85 por
cento da economia da nova província, instalaram-se indústrias:
em 1853 existiam 90 engenhos de beneficiamento de mate;
floresceram cidades como Guaíra, desbravada e colonizada pela
Companhia Matte Laranjeira S. A., Rio Negro que abrigava uma
burguesia ervateira abastada e influente e tantos outros centros
urbanos que evoluíram de portos fluviais como União da Vitória,
Porto Amazonas e São Mateus do Sul. Foi na esteira deste ciclo,
que os transportes tiveram grande impulso: desenvolveu-se a
navegação fluvial no rio Iguaçu; construiu-se a Estrada da
Graciosa e a Ferrovia Curitiba-Paranaguá, concluída em tempo
recorde de apenas cinco anos. Grande ainda foi a influência da
erva-mate no comportamento social da população das regiões
ervateiras e de Curitiba especialmente, onde até o início da
Revolução de 1930, existiam mais de uma dúzia de engenhos.
Paralelo à indústria ervateira, desenvolveram-se fábricas de
barricas para acondicionar o produto e suas sociedades de
classe, como a Sociedade Beneficente dos Barriqueiros do Ahu e
tantas outras. Com todo este progresso econômico e social, o
Paraná acabou subitamente introduzido nos tempos modernos,
surgindo um certo bem-estar e confiança no futuro. Foi a
erva-mate o esteio econômico do Estado, até o início da II
Guerra Mundial, quando a produção começou a declinar sendo
substituída por outros ciclos, que não chegaram a ter,
entretanto, a ressonância e o esplendor da erva-mate.
OS CAMINHOS DO MATE Longos
e árduos foram os caminhos percorridos pela erva-mate, ajudando
a escrever a história econômica e a tradição cultural do Paraná.
Ainda nos ervais, era feito o sapeco dos ramos, que em seguida
eram transportados para o carijo ou barbaquá, em forma de feixes
ou raídos, pesando de 60 até 150 quilos, que o ervateiro levava
às costas, muitas vezes em longos percursos. Depois da secagem
definitiva a produção do mate era transportada para o litoral
notadamente para Porto de Cima, por tropas de muares, para ser
beneficiada nos engenhos de soque que começaram a se instalar a
partir de 1820, ano em que Antonio Ricardo dos Santos estabelece
o primeiro soque hidráulico, que beneficiava 120 arrobas diárias
de erva. Apesar das dificuldades para o transporte, devido às
precárias vias de escoamento ao litoral, já em 1832, instala-se
no planalto, o primeiro engenho de soque. Mas foi com a
conclusão da Estrada da Graciosa em 1873, que a indústria
ervateira teve grande impulso e Curitiba passou a ser o centro
de beneficiamento. Surgiram novos engenhos e a erva já
elaborada, descia ao litoral transportada em carroções eslavos,
tracionados por até quatro parelhas de cavalos. Outros
caminhos percorreu ainda a erva-mate, entre eles, o fluvial.
Sendo inaugurada a navegação a vapor no rio Iguaçu em 1882 por
iniciativa de Amazonas de Araújo Marcondes, a partir de então,
durante 70 anos, embarcações de todos os tamanhos, navegaram
pelos rios: Iguaçu, Negro, Potinga, Timbó e Canoinhas. Os
vapores maiores carregavam em média 800, e as lanchas, 300 sacos
de erva-mate. Usavam lenha como combustível e atingiam uma
velocidade de 10/12 km horários rio acima e de 16/18 km rio
abaixo. Com o passar dos tempos, os meios de transporte
tradicionais foram superados pela ferrovia. O trecho ligando
Curitiba aos portos de Antonina e Paranaguá em breve
transforma-se na principal via para o escoamento da erva-mate
destinada à exportação. Já no ano de 1826, a exportação
ervateira se constituía na base de todo o comércio exterior da
quinta Comarca, razão pela qual foi criada um ano depois, a
Alfândega de Paranaguá. Eram inicialmente bergantins, galeras e
sumacas e posteriormente navios, que partiam de Paranaguá com
destino ao Rio de Janeiro, Buenos Aires, Valparaíso e
Montevidéu. No extremo oeste paranaense a Companhia Matte
Laranjeira ganhou em 1882, por Decreto Imperial a concessão para
exploração da erva-mate no sul do Mato Grosso. O transporte era
efetuado pelo rio Paraná e para transpor as corredeiras das Sete
Quedas, foi construído um ramal ferroviário entre Guaíra e Porto
Mendes.

Monumento histórico da praça Presidente Gaspar
Dutra em Guairá, a antiga locomotiva ligava esta cidade a Porto
Mendes.
O PARANÁ E A PRODUÇÃO DE
MATE
"Essa preciosa ilexinia tem sido o grande bem do Paraná.
Em verdade a erva-mate constitui a coluna de ouro da nossa
riqueza econômica, dela emanam as nossas principais fontes de
renda, nela assenta todo o engrandecimento e prosperidade do
Paraná"
(Caetano Munhoz da Rocha -
Governador do Estado do Paraná - 1920)
Esteio da nossa economia por longo período, a erva-mate é
considerada a primeira atividade agroindustrial organizada do
Paraná.
Mesmo deixando de ser a base da receita cambial e apesar da sua
elaboração por modernas indústrias, hoje como ontem, a erva-mate
passa fundamentalmente pelos mesmos processos, ou seja, ela é
cancheada e beneficiada.
◦ Cancheamento - É o ciclo desenvolvido pelo produtor e abrange
as operações de colheita, sapeco, secagem, malhação ou
trituração.
◦ Colheita: A
época da poda, regulamentada por portaria do IBDF, vai de abril
a setembro de cada ano.
◦ Sapeco:
Logo após o desbaste, as folhas são passadas rapidamente numa
fogueira feita muitas vezes, ainda no erval. Tal operação
destina-se a abrir os vasos aquosos das folhas, desidratando-as.
No sapeco os ramos enfolhados são submetidos à ação do fogo.
◦ Secagem:
Pode ser feita em primitivos carijos, em barbaquás ou em
aperfeiçoados secadores mecânicos e consiste na retirada da
umidade da erva. O sistema mais utilizado é o uso do barbaquá,
em que a erva-mate é disposta em um estrado de madeira, sobre a
boca de um túnel, que conduz o calor produzido por uma fornalha,
permanecendo ali por aproximadamente vinte horas, para a
completa torrefação das folhas.
◦ Trituração:
Depois de seca, a erva é levada para a cancha, plataforma
circular assoalhada dotada ou não de furos, onde é triturada por
um malhador (peça de madeira de forma troncônica) munido de
dentes, que rola sobre a erva, movido por tração animal.
Em tempos mais remotos a malhação da erva era feita sobre um
couro de boi, utilizando-se facões ou aporreadores de madeira ou
de ferro.
◦
Beneficiamento - Passando por todo processo de cancheamento a
erva-mate, está pronta para ser utilizada pelos engenhos, para
sua elaboração final ou seja, a tradicional erva para chimarrão
destinada ao consumo interno e para exportação, cujos dois
principais mercados são Chile e Uruguai, com crescente aceitação
entre os países europeus e do Oriente Médio.
O uso do chimarrão sofreu expressiva revitalização, devido à
busca do naturalismo, pelo habitante da cidade grande e pelas
correntes migratórias internas. Uso tradicionalmente cultivado
no sul, se estendeu para o Mato Grosso, Goiás, Rondônia e outros
estados.
Outra forma de beneficiamento é o do mate queimado ou tostado,
considerado um produto genuinamente nosso, uma vez que sua
industrialização só se processa no Paraná, sendo que a produção
vem evoluindo ultimamente e hoje é apresentado ao mercado
consumidor nas mais variadas e sofisticadas formas, desde a
tradicional embalagem contendo as folhas trituradas e soltas; o
"tea bags" - mate em saquinhos contendo doses individuais; o
mate concentrado na forma líquida; o mate solúvel, os
refrigerantes em cristais e o mate preparado.
Você sabia? ...
Importada pelos países europeus, a erva-mate teve os mais
diferentes usos: na Espanha e Portugal, era vendida em
farmácias, como medicamento, na Alemanha era usada para
fabricação de gasosa e vermute e na França, foi transformada em
matéria-prima na confecção de cigarros. |